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A mulher é a chave da casa
Escrito por Iria Hauenstein   

 Neste dia inernacional da mulher, oferecemos esta bonita reflexão teológica para que todas e todos possam celebrar intensamente este dia de luta.        

Provérbios populares são muito antigos e bastante comuns. Podemos encontrá-los em diferentes lugares. Escritos em caminhões, bares e armazéns. Em revistas e calendários. Até em peças de artesanato. Os provérbios, como muitas outras coisas da vida do povo, também encontraram espaço na Bíblia.

 

          Provérbios são uma forma didática de comunicar sabedoria, adquirida com as experiências do cotidiano. São essência de ensinamento que surge da própria vida. Provérbios são formas concentradas de experiências.

          Em muitas famílias, alguns provérbios são passados ou repetidos de geração em geração. Particularmente, sempre gostei de ler e ouvir provérbios ou ditos populares. Tenho muitos registrados. Um deles escuto há muitos anos. Minha tataravó já o repetia para minha avó. Minha avó o repetia para minha mãe e minhas tias. Elas, por sua vez, repetiam o dito provérbio para as suas filhas. Não sei a razão, mas o guardei na minha memória como mensagem das ancestrais, passada de geração em geração, de mulher para mulher.

          “A mulher é a chave da casa”. Este provérbio, para mim, sempre foi motivo de muita imaginação. Quando menina, ficava pensando como seria o buraco da fechadura em que a mulher serviria de chave. Ficava imaginando uma mulher alta, magra, com cabelos compridos ser chave da casa... Ou uma mulher muito gorda... Ou uma mulher já de bastante idade, corcunda pelo peso da vida. Às vezes ficava imaginando como deveria ser esta mulher, chave da casa. Ou como seria uma casa sem essa tal “chave”. Seria uma casa fechada, vazia?

          Com o passar do tempo fui descobrindo e valorizando a sabedoria e a simbologia contida neste provérbio popular. Cresci com essa imagem na cabeça. Mulher, chave e casa. Mas, que casa? Uma casa onde criamos filhos e filhas; uma casa, espaço de relações familiares, vizinhas e amigas; uma casa, espaço de aconchego, descanso e acolhida. Uma casa onde encontramos colo, consolo e cura. Uma casa com portas largas e abertas, que acolhe o peregrino, a viúva, o órfão. Uma casa que acolhe diferentes culturas, costumes, crenças e religiões.

          Meu conceito de casa e de mulher foi se ampliando e modificando. Então fui construindo uma nova imagem para esse provérbio. De forma especial, quando compreendi a dimensão mais ampla da palavra “casa”. A casa como “cosmos”, isto é, mundo, coisa bonita, o que não é imundo, nosso planeta compreendido e aceito como casa comum de toda a humanidade. “Casa” como oikos, palavra usada na linguagem grega, lugar da convivência e da proximidade, como o seio, geradora de novas relações. “Casa”, lugar de gerar, tomar nos braços e ensinar cada novo passo.

          Imagine a mulher como chave para abrir a porta e fazer descobrir o mistério da natureza e da sociedade em todas as suas dimensões: a ecologia (a lógica da casa), a economia (a lei que governa a casa), o ecumenismo (a casa como lugar onde todas as pessoas têm direito de permanecer).

          A mulher como chave para reestruturar a economia planetária, para que reine harmonia, segurança, paz e felicidade, onde cada pessoa possa viver uma vida plena e digna. Assim me dei conta de quanto é amplo, pedagógico, ecumênico e ecológico este antigo provérbio!

          Na Bíblia, no Livro dos Provérbios 31,10-30, encontramos um lindo poema, que exalta mulheres como “chave da casa”. Em forma de poema, reveste de “saber ser” (poder) e “saber fazer” (experiência) mulheres chave da casa.

          E como linguagem poética, o texto descreve mulheres em diferentes funções. Por um lado, descreve mulheres generosas, fraternas, dignas, confiantes, inteligentes, corajosas... Por outro lado, nos fala de mulheres que trabalham com as mãos, com os braços, com os dedos. De mulheres que cuidam da economia da “casa”, entendem de negócios, de investimentos e de aplicações financeiras. Mulheres que fabricam tecidos, tecem mantas e cinturões e fornecem mercadorias. Compram terras e plantam vinha. Vestem-se de força, coragem e dignidade. Mulheres que sorriem para a vida e têm esperança no futuro. Mulheres que sonham, realizam e celebram. Mulheres que tecem a teia da vida gotejada de poder e de saber.

          Na arte da Bíblia e na arte da Vida mulheres são “chave da casa” que abre a porta da grande casa comum para que nossos sonhos e utopias possam tornar-se realidade. Mulheres como chave que abre a porta para reinventar a ciência, a filosofia, a teologia, a medicina... Mulheres, chave que abre a porta para ver a face humana de Deus. Para ver a face humana da Deusa contida em Deus, para a vivência de uma espiritualidade orante e comprometida, integradora e ativa.

          As mulheres como “chave da casa”, que abre a porta da solidariedade que multiplica o pão, o saber e a ternura. Mulheres como chave para abrir a porta da ciência que permite ensaiar uma medicina mais humana para todos os filhos e todas as filhas de Deus.

          Mulheres como chave para abrir a casa –
          do pão e da água,
          da moradia e da saúde,
          da economia e da ternura,
          da igualdade e dos direitos,
          do ser e do saber,
          da vida plena e digna,
          do abraço e da solidariedade,
          da felicidade e da paz.

          Mulheres, chave da casa!

          Mulheres, na Bíblia como na Vida, chave da vida, primeira casa onde cada qual de nós achou seu primeiro abrigo: mulher, chave e casa.

 
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